Praça Coronel Fernando Prestes

Praça Coronel Fernando Prestes

Praça Coronel Fernando Prestes

Antigamente chamada de Largo da Matriz, a Praça Coronel Fernando Prestes fica bem no coração da nossa cidade. Ali se encontram vários prédios históricos de Sorocaba, como o Gabinete de Leitura, o Sorocaba Clube, a sede central do Clube Recreativo e a majestosa Catedral Metropolitana de Sorocaba. Sua demarcação como Largo da Matriz foi definida em 1661, para trazer entretenimento e lazer para as famílias sorocabanas, tendo ido além, transformando-a em palco dos principais movimentos políticos e culturais que ocorreram no município.

Praça Coronel Fernando Prestes - Comemoração dos 357 anos de Sorocaba na Rua São Bento em 15 de agosto de 2011.

Ao seu redor, a cidade cresceu e se transformou. Nela foram erguidos os primeiros circos de cavalinhos, ocorreram as primeiras apresentações teatrais, foi construído o primeiro chafariz e também foi ali realizado o primeiro registro fotográfico de que se tem conhecimento em Sorocaba.

Ficou famosa a partir da década de 40 com o chamado footing, encontro de jovens aos sábados à noite. A juventude da época andava em filas no centro da praça, uma fila só de homens e outras duas ao redor só de mulheres, assim caminhavam em circulo para flertarem e, possivelmente se conhecerem, namorarem e casarem.

Ao longo dos mais de 350 anos de Sorocaba, a Praça passou por várias transformações. Mudou de tamanho, de nome, de visual, mas continua charmosa e aconchegante para receber seu povo.

Footing

Início da noite de sábado… Um banho demorado e revigorante, a melhor roupa, os sapatos bem polidos, a brilhantina esfregada nas palmas das mãos para amaciar os cabelos… As moças, desde o início da tarde já começavam a se preparar. O momento mais aguardado da semana, enfim chegava: o footing, terminologia romântica usada para denominar “paquera” entre rapazes e moças.

Footing - Representação ilustrativa do footing na Praça Coronel Fernando Prestes.

Sobre os mosaicos portugueses da Praça Coronel Fernando Prestes, moças e rapazes elegantemente caminhavam em torno dela em sentido contrário. Compunham assim, uma fila de rapazes no meio e outras duas de moças ao redor, sempre trocando olhares e caminhando em círculos no centro da praça.

“Sobre os mosaicos portugueses da Praça Coronel Fernando Prestes, moças e rapazes elegantemente caminhavam…”

Isto acontecia aos sábados e domingos à noite, ocasião em que moças e rapazes viam uma ótima oportunidade de flerte e, quem sabe, um início de namoro. Muitos dos jovens que ali se conheciam, namoraram e se casaram.

Pérgula

Apérgula da Praça Coronel Fernando Prestes foi inaugurada em 21 de setembro de 1947 para apresentações de bandas musicais. Localizada próxima ao Gabinete de Leitura e do Clube União Recreativo, foi construída em substituição ao antigo coreto que havia no mesmo local, sendo palco, nas últimas décadas, de exposições alusivas ao Natal, como a montagem do Presépio Natalino.

Para entender como nasceu a primeira praça da cidade, é preciso evocar a América pré-colombiana, o Brasil pré-cabralino, pois lá, bem onde a praça está, era o ponto de desmembramento da rota principal do Peabiru – o extenso caminho que cortava a América do Sul.

A demarcação da área a ser destinada ao largo da Matriz foi definida em março de 1661, com a elevação do povoado à condição de Vila, sete anos depois de sua fundação.

Por sua liderança na época o capitão Baltazar Fernandes, foi indicado pelo governador da Província como juiz da nova Vila. Suas primeiras medidas foram traçar o arruamento e a construção dos prédios da Câmara, da cadeia e da igreja Matriz. No entanto, ele morreu antes de concluir o seu trabalho, e a área destinada ao largo da Matriz, onde hoje passam as ruas da Penha e São Bento, lentamente foi sendo reduzida, comprada ou doada para os moradores.

O fotógrafo Júlio W. Durski registrou a primeira foto que se tem conhecimento da Praça Coronel Fernando Prestes.

“Era o ponto de desmembramento da rota principal do Peabiru.”

Largo da Matriz com chafariz – Foto de Julio W. Durski, datada de 1886.

No início nossa praça era simples, sem arruamento e sem demarcação; sofria muito com as erosões, pois seu chão era apenas de terra batida. As erosões chamaram a atenção das autoridades da cidade que, em 1911, fizeram um aterro e um arrimo para a praça para amenizar o problema.

Alguns anos depois, a Câmara de Sorocaba colocou bem ao centro da praça um grande chafariz, que além de embelezar o Largo, como era conhecida antigamente a praça, supria também o problema da falta de água nas casas dos moradores da região. Lá o grande chafariz permaneceu até 1903, posteriormente foi transferido para o bairro Aparecidinha, e agora se encontra na frente do Museu Histórico Sorocabano.

Por volta de 1916, o Largo da Matriz, já com o nome de Praça Coronel Fernando Prestes, recebeu inúmeras benfeitorias. Foram construídos altos muros de arrimo para conter a erosão, belos jardins arborizados, uma linda cascata, um pequeno banheiro e um coreto para apresentações artísticas. Ao redor do coreto a população se divertia ao som de bandas nas festas de fim de ano, Carnaval e nos finais de semana.

Entre 1946 e 1947, a Praça Coronel Fernando Prestes passou por outra reforma. Na ocasião, foram demolidos os muros de arrimo, a cascata e o coreto. No lugar do jardim arborizado, surgiu um enorme espaço livre e aberto, com piso de pedra portuguesa, luminárias elétricas, bancos sem encosto, árvores em seu contorno, e uma pérgula para apresentações de bandas musicais, substituindo o antigo coreto.

Largo da Matriz - Foto de Francisco Scardigno, 1916. Coleção: Jair Almeida Branco.
Sorocaba já havia deixado de ser a vila tropeira, começava a ganhar força como cidade fabril, o que lhe renderia, tempos depois, o apelido de “Manchester Paulista”. Era a segunda metade do século XIX e a cidade recebia muitos operários vindos das mais diversas partes, os imigrantes também já eram cada vez mais presentes, havendo até uma sociedade que admitia apenas membros de origem germânica.

O “Gesellschchaft – Sociedade Germânia” só admitia alemães no seu quadro de sócios até que, em 1866, recebeu Luiz Matheus Maylasky. Com sua influência Maylasky  passou a trabalhar para que o clube fosse aberto às pessoas de outras nações, inclusive os brasileiros, o que realmente aconteceu em janeiro do ano seguinte.

Surgia o Gabinete de Leitura Sorocabano, fundado em 13 de Janeiro de 1867. Feito que ganhou destaque na cidade e no jornal “O Araçoiaba”, que publicou a notícia e mais três editais a respeito. Depois de Maylasky, que foi o primeiro presidente, o clube que funcionava em um sobrado da Rua da Ponte (atual XV de Novembro), recebeu em 14 de fevereiro o jovem Ubaldino do Amaral Fontoura.

As mudanças constantes da sede atrapalharam muito o desenvolvimento do Gabinete, até que o seu terceiro presidente, Olivério Pilar, comprou uma casa no Largo da Matriz, na Rua São Bento, e ali construiu a sede. O dinheiro para a compra do imóvel veio através das quermesses realizadas na cidade.

No ano em que o Brasil conquistaria o seu primeiro título na Copa do Mundo (1958), o Gabinete de Leitura celebrava sua casa nova com uma grande festa. Entre várias atrações, ganhou uma biblioteca com a coleção de jornais de Sorocaba quase completa, passou a receber confortavelmente os associados e diversas exposições passaram a ser realizadas.

Uma curiosidade interessante é que, como no teatro e no cinema, para frequentar a sede do Gabinete de Leitura o traje era rigoroso: paletó ou blusas eram peças obrigatórias.

Fugindo à tradição das diretorias anteriores, na virada da década de 1970 para a de 1980, Armando de Oliveira Lima, importante literato sorocabano, abriu as portas do Gabinete aos jovens, aproximou-os dos livros e realizou dezenas de atividades culturais, trazendo para Sorocaba palestrantes nacionalmente conhecidos.

Abriga grande parte de documentos que contam a história de Sorocaba. Jornais antigos, fotografias, revistas e livros fazem parte do acervo histórico. Conhecer o Gabinete de Leitura é um passeio no tempo e na história da nossa cidade.

Gabinete de Leitura Sorocabano – Fundado em 1867 por Luiz Matheus Maylasky.