Largo São Bento

Largo São Bento

Largo São Bento

Éimpossível falar da história de Sorocaba sem mencionar o Largo de São Bento. Lá se encontra um dos prédios históricos mais importantes de Sorocaba, o Mosteiro de São Bento, tombado pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico Arqueológico, Artístico e Turístico (CONDEPHAAT).

Selo “350 Anos do Mosteiro de São Bento de Sorocaba”

O largo de São Bento compreende as dependências do monastério e a Igreja de Sant’Ana, conhecida pelos sorocabanos, ainda que equivocadamente, como Igreja de São Bento.

Todo o conjunto surgiu a partir de uma capela construída por ordem de Baltazar Fernandes, a qual aparece no testamento de Isabel de Proença, sua segunda esposa. Esse testamento é o primeiro documento preservado em que se vê registrado o nome de Sorocaba.

“Um dos prédios históricos mais importantes de Sorocaba.”

O Mosteiro de São Bento guarda algumas preciosidades, como o altar-mor esculpido em madeira, com lâminas de ouro aplicadas no retábulo, os adornos que ficam atrás do altar, trazidos de Portugal no século XVIII. O Largo de São Bento abriga um monumento a Baltazar Fernandes, fundador de Sorocaba. Atualmente o Mosteiro vem utilizando o Espaço São Bento, antigo prédio do Colégio Ciências e Letras, para atividades culturais como exposições, palestras, cursos, lançamentos de livros, etc.

Rua São Bento

Quando mandou abrir a primeira via pública da cidade, o fundador Baltazar Fernandes já projetava que o povoado seria próspero. Assim a Rua São Bento, que inicialmente tinha o nome de Rua da Ponte, foi a primeira via a dar ordenamento ao trânsito que, na época, era de pessoas e veículos de tração animal.

A rua começava em frente da fachada da então capela erguida por Baltazar Fernandes, dedicada a Nossa Senhora da Ponte, no largo de São Bento, e estendia-se até a ponte sobre o rio Sorocaba. Em 1917, o Capitão Nascimento Filho, então prefeito da cidade, denominou o trecho após o Largo da Matriz de Rua XV de novembro, numa homenagem aos vinte e oito anos da Proclamação da República.

Rua São Bento - Foto de Pedro Neves do Santos, data atribuída 1924.

Cemitério

Lápide – Túmulo de Baltazar Fernandes no piso da Igreja de Sant’Ana, em frente ao altar.

Antigamente Sorocaba não contava com um local específico para sepultamento de seus mortos. Ao redor do antigo Mosteiro, havia um cemitério em que, segundo historiadores, eram enterrados os irmãos e os índios que trabalhavam para os monges.

Em 1819, o presidente do Mosteiro de São Bento doou o terreno ao lado da igreja (atual Praça Carlos de Campos), para essa finalidade. Esse cemitério era fechado com grades, tendo em seu interior uma capela dedicada à Santa Cruz. O local tornou-se conhecido como “Cemitério dos Bexiguentos”, designação usual dos doentes de varíola, por causa das bolhas que são o principal sintoma da doença.

O cemitério serviu a comunidade até 1863, quando foi inaugurado o Cemitério da Saudade. No ano seguinte, Frei Baraúna pediu o terreno de volta, permanecendo apenas a capela que, com o tempo, também desapareceu.

Mosteiro de São Bento e Igreja de Sant’Ana - Foto de Pedro Neves do Santos, 1924.

Buscando atrair mais moradores ao então povoado de Sorocaba, Baltazar Fernandes doou aos monges beneditinos de Sant’Ana do Parnaíba uma grande quantidade terras, uma igrejinha, índios e um rebanho de bovinos, para eles se instalarem no povoado, cabendo aos monges a escolha do orago – o santo protetor do vilarejo – e a construção do Mosteiro com quartos, despensa, cozinha e refeitório.

Para a manutenção da igreja e dos padres, Baltazar presenteou os religiosos com escravos índios para trabalharem na lavoura, nos serviços de sacristia, na cozinha, além de vacas para ordenha e um touro.

Outra exigência do fundador de Sorocaba foi que os monges realizassem pelo menos doze missas por ano e uma missa em intenção de Nossa Senhora da Ponte. Mas, os monges só vieram a tomar posse de suas propriedades em 1667, dando início à construção do mosteiro, cuja conclusão tardou a acontecer.

A capela foi construída em um local alto e direcionada para o nascer do sol e possuía uma ampla visão da região central e do rio Sorocaba. Logo atrás, próxima à antiga Rua da Bica, atual Rua Voluntário de Sorocaba, existia uma nascente que fornecia água ao local.

Após a morte de Baltazar Fernandes, com a demora dos monges em tomar posse das terras, a Câmara e os moradores da Vila começaram a se apossar das propriedades do Mosteiro, gerando um atrito que quase causou a saída dos monges de Sorocaba em 1695.

A disputa terminaria somente em 1728, com a definição das terras pertencentes ao Mosteiro e à Câmara. Como marco do acordo foi erguida a Santa Cruz da Composição, que fica entre as ruas Santa Clara e Nogueira Martins.

Largo de São Bento -  Tombado pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico Arqueológico, Artístico e Turístico (CONDEPHAAT).

Acapela construída para os monges foi batizada, primeiramente, de Igreja de Nossa Senhora da Ponte, mas com o crescimento da cidade, a construção de uma nova igreja matriz se fez necessária. Com isso, a imagem de Nossa Senhora da Ponte que havia na igreja Sant’Ana foi levada em 1667 para a nova Matriz, mantendo sua condição de padroeira da paróquia.

Em seu lugar foi colocada a imagem de Nossa Senhora da Visitação que, posteriormente, também foi para a matriz, onde se encontra até hoje. A partir do século XVIII, uma imagem de Sant’Ana passou a ocupar o altar principal da antiga capela, e Sant’Ana passou a denominar a igreja do Mosteiro de São Bento.

“Na Igreja de Sant’Ana foram batizados os primeiros sorocabanos…”

A técnica utilizada na construção de suas paredes foi a de taipa de pilão, na qual o barro era socado em um pilão até ganhar consistência. As telhas também foram produzidas no município. No início não havia torre sineira, sendo que a atual foi construída entre 1860 e 1870, durante a primeira presidência de Frei Baraúna. Por volta de 1900, o altar-mor desabou e, após a reconstrução, foi substituído pelo retábulo proveniente da igreja de Santana do Parnaíba.

No interior do Mosteiro, dispõem-se gravuras e imagens em madeira policromada do Senhor da Coluna e do Senhor da Agonia, ambas do século XVIII. No altar-mor, estão as imagens de Sant’Ana Mestra com a Virgem Maria Menina, São Bento e Santa Escolástica, todas portuguesas, do século XVIII, também em madeira policromada, 16 provenientes do Mosteiro de São Bento de São Paulo.

Na Igreja de Sant’Ana foram batizados os primeiros sorocabanos conforme registro no Livro de Batismo: muitos índios trazidos por bandeirantes e moradores da cidade. Trata-se de uma legítima expressão artística do Barroco em nossa cidade.

Rua São Bento - Prédio da Câmara (atual Correios) Mosteiro de Santa Clara e Mosteiro de São Bento – Fotógrafo desconhecido, data atribuída 1903.

Baltazar Fernandes nasceu em 1580, na fazenda de seus pais, no atual bairro do Ibirapuera, São Paulo. Tinha dois irmãos, André Fernandes, fundador de Santana de Parnaíba, e Domingos Fernandes, fundador de Itu.

Monumento Baltazar Fernandes -  Fundador de Sorocaba.

Era um bandeirante preador (caçador de índios), participando de expedições a Goiás, Paraná e Rio Grande do Sul. Participou também da expulsão dos jesuítas de São Paulo e, por tal atitude, foi excomungado pelo bispo de Buenos Aires.

Acabou por fixar-se em Santana do Parnaíba, onde foi juiz e vereador, dono de terras, moinho de trigo e de uma pequena fundição.

Baltazar Fernandes casou-se duas vezes, primeiro com a paraguaia Maria Zunega, com quem teve uma filha, Maria de Torales. Depois com Isabel de Proença, com quem teve doze filhos.

Morreu em Sorocaba, por volta de 1667, e encontra-se sepultado na Igreja de Sant’Ana, no Mosteiro de São Bento.

Por sua importância histórica para Sorocaba, Baltazar Fernandes ganhou um monumento, obra do artista Ernesto Biancalana. Este monumento foi um presente da colônia espanhola a Sorocaba em 1954, nas comemorações dos três séculos de sua fundação.

A imagem do fundador foi baseada em estudos do historiador Aluísio de Almeida e do artista plástico Ettore Marangoni. Fixadas na base em granito estão placas de bronze retratando o início da cidade, ciclo dos tropeiros, industrialização e o brasão de Sorocaba, projetado pelo historiador Afonso d’Escragnolle Taunay, o conhecido escritor romântico Visconde de Taunay.